domingo, maio 28, 2006

Jeitoso

Infelizmente, a National Geographic lusa não parece ter tantos recursos como a casa mãe. Se tivesse, decerto que teria feito uma descoberta mais relevante que a descoberta dum qualquer sarrabisco dum sujeito de nome Judas. Se tivesse investigado, provavelmente chegariam à conclusão de que Deus teria sido inventado por um português. Sim, português. Afinal, em que outro país é-se tão bom a culpar os outros, a arranjar bodes expiatórios, a fazer um jeito? Sim, porque Deus foi inventado porque dá jeito. Dá jeito atribuir-lhe as culpas por tudo o que não entendemos. Dá jeito depositar esperanças sobre algo que nos foge ao controlo, para depois... atribuir-lhe culpas por tudo o que não entendemos. Dá jeito para nos desresponsabilizarmos. Dá jeito para tirarmos umas férias do controlo da nossa existência. Dá jeito acreditar em Deus para pensarmos que há alguma lógica insuspeita em todo o estranho desenrolar de acontecimentos do quotidiano. Dá jeito
Como qualquer coisa que se inventa, a ideia é facilitar-nos a vida. Não argumento. Mas é ilusório. Acreditar em Deus é a suprema fraqueza. Acreditar que uma força superior, divina, espiritual, omnipresente, omnisciente é a verdadeira fraqueza. Admitir que somos apenas mais um ser humano que andará por cá pouco mais de 70 anos (se tudo correr bem!) e que controlamos muito pouca coisa é a verdadeira força. É o que é dificil, e não acreditar não se sabe bem em quê, não se sabe bem como, não se sabe bem para quê. O verdadeiro acto de coragem é assumir as minhas fraquezas, e, sem qualquer complexo de inferioridade, reduzir-me à minha insignificante mas produtiva existência.

3 Comments:

At 1:29 a.m., Blogger MEU DOCE AMOR said...

Não vou comentar muito ,porque a existência ou não de Deus é algo muito frágil e "atiça"a sensibilidade de quem acredita.É fácil pôr as culpas em Deus .Ele serve para tudo até para responder às nossas irresponsabilidades e frustrações.
Mas há ali uma coisinha que naõ posso deixar passar.Dizes que no nosso país se culpam os outros!
Tu próprio fizeste ,quando no teu caso amoroso pões a culpa nela, pelo facto de não terem concretizado o que sonhavas.Portanto não foges à regra(peço desculpa se te ofendo;não é essa a intensão).
"
A culpa não morre solteira..."

Beijinho Doceando

 
At 2:18 a.m., Blogger smog said...

Não vejo problema em deitar as culpas, quando os outros têm, de facto, as culpas, desde que não interfira com a nossa capacidade para perdoar que deve permanecer intacta). É mais honesto do que culpar Deus.
É claro que não fujo à regra (sou humano e ainda por cima português!!!), mas pelo menos tento ser justo em quem deito as culpas. Não no sentido rancoroso do termo, mas com o intuito (nem sempre conseguido) de resolver o que há para resolver, culpar quem tenho de culpar (às vezes descubro que também sou eu) e, depois de tudo dito, não se falar mais nisso. Não suporto aquelas pessoas que não dizem o que querem dizer, mas que acham que fica tudo bem, continuando a dizer entredentes, aquilo que deviam ter coragem para dizer e não dizem.
A experiencia diz-me que as pessoas que insistem em atribuir as culpas a uma entidade divina, ou pedir-lhe uma resolução para problemas que muitas vezes cabe-lhes resolver, não vivem em paz com elas próprias nem com os outros. Porque, lá bem no fundo, sabem que a maior parte das vezes os seus problemas são originados pelos outros e não por Deus. Não têm é coragem para assumir isso diante dos outros, porque isso torna-as demasiado vulneráveis. É mais fácil fazer o acto de contrição dedicado a alguém invisível (para não dizer que não existe) e que, portanto, não observa, não julga e não condena.
Eu ainda não sei se acredito em Deus, mas não sou definitivamente uma pessoa como estas.

Beijo

Smog

 
At 11:10 p.m., Blogger MEU DOCE AMOR said...

Ainda bem.eu idem.Nós somos aquilo que queremos ser,fazemos como queremos e temos a responsabilidade pelos nossos actos.Causa-efeito.

DOCEANDO

 

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