silêncio...

(for her... who knows who she is)
Sonhei contigo
embora nenhum sonho
possa ter habitantes
tu,
a quem chamo
amor,
cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção
a esta palavra.
É verdade
o sonho poderá ter feito
com que, nesta rarefacção de ambos,
a tua presença se impusesse
como se cada gesto do poema
te restituisse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus lábios
com o rebordo desta chávena de café já frio.
Então, bebo-o de um trago
o mesmo se pode fazer ao amor,
quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -terra, água, nuvens, rios
e o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência da fontes.
É isto, porém, que faz com que a solidão
não seja mais do que um lugar comum
saber que existes, aí,
e estar contigo
mesmo que só o silêncio me responda quando,
uma vez mais
te chamo.
Nuno Júdice

3 Comments:
eheh
Sem querer ser convencida venho aqui picar o ponto :)
Na verdade, qualquer pessoa pode achar que é a tal para quem o poema é dedicado...não seja a mulher um bicharoco convencido!
Agora mais a sério...o poema lindo...e a sortuda a quem é dedicado que dê o devido valor :))
zzzz...
Adorei.Palavras maravilhosas.Agora sem silêncio.Sempre sem silêncio.Detesto o silêncio.
Anónimo: Só se foe burrinha é que não dará valor.Se ele escreve posta um poema tão significativo...é porque sabe que ela vai dar muito valor.Temos é que convencê-lo a dizer pessoalmente.Porque não hão-de ser mais felizes do são?
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