quarta-feira, agosto 29, 2007

poema para habitar














A casa desabitada que nós somos

pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.
Que lhe limpem os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.
Até que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.

Albano Martins

1 Comments:

At 10:32 p.m., Blogger MEU DOCE AMOR said...

Posso então habitar?

Não abri as portas e as janelas.
Arranquei-as simplesmente.
Levo a madeira para queimar e lanço as cinzas no mar.

Beijinho doce

 

Enviar um comentário

<< Home