quinta-feira, novembro 16, 2006

Retrato ardente














No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha

Eugénio de Andrade

1 Comments:

At 1:31 a.m., Blogger MEU DOCE AMOR said...

É mesmo um retrato ardente.Entre a cintura e os joelhos.Aqui onde gostavas de te "perder".De idiotice é que não tens nada :)).Ainda bem!
Só deitado é que nos apercebemos disso.Então...só há um "remédio"!...

Bj d
d

 

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