quinta-feira, maio 03, 2007

linguagens














Quando a poesia tem o teu rosto,

e o verso coincide com o número

dos teus dedos, volto a contar a métrica

pelo silêncio duns lábios fechados.


Sinto em cada sílaba a tua pele,
ouço em cada rima um canto de amor;
e se a conta não acerta no fim,

volto à tabuada que me ensinaste.

Ponho o singular do corpo na mesa,
tiro o plural dos olhos do caderno;
divido pelos ombros os cabelos,
somo aos seios o véu que os encobre.

Decassílabo, Nuno Júdice