tu choravas...

Tu choravas e eu ia apagando
com os meus beijos os rastos das tuas lágrimas
- riscos na areia mole e quente do teu rosto.
Choravas como quem se procura.
E eu descobria mundos, inventava nomes,
enquanto ia espremendo com as mãos
o meu sangue todo no teu sangue.
Não sei se o mundo existia e nós
existiamos realmente.
Sei que tudo estava suspenso,
esperando não sei que grave acontecimento,
e que milhares de insectos paravam e
zumbiam nos meus sentidos.
Só a minha boca era uma abelha inquieta
percorrendo e picando o teu corpo de beijos.
Depois só dei pela manhã,
a manhã atrevida,
entrando devagar, muito devagar e
acordando-me.
Desviei os meus olhos para ti:
ao longo do teu corpo morriam as estrelas.
A noite partira. E, lentamente,
o sol rompeu no céu da tua boca.
Albano Martins

3 Comments:
Lindo poema que escolheste.
Sabes?
Este espaço é muito harmonioso.Vejo-o como meu refúgio.
"tu choravas"...
Pois choro muitas vezes calada.Mas choro por ver como é o mundo que me rodeia.Por vezes sinto que o espaço é muito pequeno para mim.Pois existe muita gente à minha volta...e que pouco ou nada têm em comum comigo.Gente do dia a dia,claro.Hoje assim sinto.Barulho e mais barulho...mas sem sons harmoniosos.
"e eu descobria mundos"...
Descobro-os sim.E cada vez mais.Visíveis e invisíveis.Estou com uma terrível dor de cabeça.Nem vejo bem,com tanta estupidez.A estupidez cega-me.
Desculpa o desabafo.
Um beijo doce e dorme em Paz:)
E a falta de respeito também me cega.Prefiro palavrões.Prefiro mesmo.
Mas gente imbecil...
Smog:
desculpa o desabafo,tá?
Beijinho
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