A hora da partida

(...como eu odeio as noites de Domingo de Inverno... Sim, penso que odiar é a palavra certa. Valha-me a poesia para preencher estes estados de alma e me enterter na permanente contagem decrescente nos 5 dias que meticulosa e obrigatoriamente esmiuço, na ânsia de que terminem...)
A hora da partida soa quando
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen

1 Comments:
Smog:partida para onde?Não vais a lado nenhum que não deixo.São lindas as palavras.A vida está em ti e em ti habita.O que vês no espelho é só um reflexo provocado pelo sol e como é intenso,cerraste os olhos.Por isso não te apercebeste que o que está no espelho é a tua beleza.
bj d
d
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