Virtual (in) Sanity
Quando era mais novo, duvidava de tudo. Agora, nem disso tenho a certeza.
segunda-feira, novembro 26, 2007
domingo, novembro 25, 2007
domingo, novembro 18, 2007
encantamento

É por te querer tanto que canto trovas à lua
E ando dizendo na rua o teu nome a toda a gente.
É por te querer tanto que me sento à beira rio
E por ele mando palavras que desaguam aos teus pés.
É por te querer tanto que vivo cada momento
Num perpétuo deslumbramento
Que me assombra e extasia.
Ah… É por te querer tanto que não digo que te quero
Mas te canto e me encanto
Por tanto e tão grande querer.
Encandescente
segunda-feira, novembro 12, 2007
domingo, novembro 11, 2007
anoitece devagar

Anoitece devagar. Anoitece sobre os ombros. Anoitece onde não estou e em redor do meu corpo. Anoitece por dentro dos objectos que evocam a tua presença. A penumbra invade a casa, corrói tudo o que é sólido. Antes, a solidão vergava-me, mas com o passar do tempo povoei-a com sorrisos, pequenos gestos que aderem à memória e me dizem que existo, que continuo vivo onde pressinto o coração a arder. É o ouro que se ganha quando se aprendeu a estar sozinho, tem-se tudo e não se possui nada. O que restava da memória foi partilhado ou foi abandonado para sempre. Tudo está constantemente presente e vibra sob a luminosidade imperceptível de ser eterno na fracção de segundos. Se morresse agora não deixava nada, porque bebi toda a minha sede, esvaziei-me, devorei noites do amargo que têm as coisas antes de nos pertencerem. Teu corpo, por exemplo custou-me tanto inventar-lhe formas consistentes, um reflexo, uma sombra que se lhe adaptasse e o acompanhasse. Teu corpo vive hoje dentro do espelho onde se perdeu o meu.
in ...
quinta-feira, novembro 08, 2007
coincidências

Se terminar este poema, partirás. Depois da
mordedura vã do meu silêncio e das pedras
que te atirei ao coração, a poesia é a última
coincidência que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a mesma neblina que impede a
memória límpida dos sonhos e confunde os
navios ao retalharem um mar desconhecido
está dentro dos meus olhos – porque é difícil
olhar para ti neste preciso instante sabendo que
não estarias aqui se eu não escrevesse. E eu, que
continuo a amar-te em surdina com essa inércia
sóbria das montanhas, ofereço-te palavras, e não
beijos, porque o poema é o único refúgio onde
podemos repetir o lume dos antigos encontros.
Mas agora pedes-me que pare, que fique por aqui,
que apenas escreva até ao fim mais esta página
(que, como as outras, será somente tua – esse
beijo que já não desejas dos meus lábios). E eu, que
aprendi tudo sobre as despedidas porque a saudade
nos faz adultos para sempre, sei que te perderei
em qualquer caso: se terminar o poema, partirás;
e, no entanto, se o interromper, desvanecer-se-á
a última coincidência que nos une.
Maria do Rosário Pedreira
sábado, novembro 03, 2007
quinta-feira, novembro 01, 2007
trânsito

Ao voltar a casa, com o rádio do carro
aberto, lembrei-me de ti, com o cabelo apanhado,
o alfinete de dama a prender-te o vestido,
que podia ser uma farda, e o teu rosto
dividido: de um lado, a luz da vida,
do outro, a obscuridade que o flash do
fotógrafo não conseguiu resolver. Posso
dizer-te que amo os teus olhos, e que
muitas vezes os atravessei para descobrir
o outro lado da alma, onde se esconde
o que os teus lábios não revelam. Um
dia, porém, perguntar-te-ei: quem és?
E talvez saias da sombra, abrindo-me
um sorriso que me empurrará para
a outra margem que não conheço. Servir-me-ás
de guia? Ou voltarás para o teu canto,
desapertando o alfinete de dama que
sempre te incomodou. O rádio do carro
continua aberto, com as notícias do dia;
mas o que quero saber é o que tens
para me contar, e o tempo apagou.
Nuno Júdice



