quarta-feira, agosto 29, 2007

poema para habitar














A casa desabitada que nós somos

pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores.
Que lhe limpem os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente.
Até que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.

Albano Martins

terça-feira, agosto 28, 2007

dying slowly...

I've got memories
I keep them away from me
They won't behave
Won't be what I want them to be

I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one

So many squandered moments
So much wasted time
So busy chasing dreams
I left myself behind

I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one

So this dying slowly
It seemed better than shooting myself
This dying slowly
It seemed better than shooting myself

These worms, darling
They're nibbling away at me
They go at it when I'm sleeping
Won't let me get to my feet

I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one

So this dying slowly
It seemed better than shooting myself
This dying slowly
It seemed better than shooting

If I could find the words to explain this feeling
I would shout them out
If I could find out all this, what's inside me
I would shout it out

So this dying slowly
It seemed better than shooting myself
This dying slowly
It seemed better than shouting it out

I'm just tired, darling...

Dying Slowly, Tindersticks

o canto do vento nos ciprestes














"Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis
que alagámos de beijos quando eram outras horas
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse
de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa
ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu
tinha medo de me deitar só com a tua sombra. Deixa
que nos meus braços pousem então as aves (que, como eu,
trazem entre as penas a saudades de um verão carregado
de paixões). E planta à minha volta uma fiada de rosas
brancas que chamem pelas abelhas, e um cordão de árvores
que perfurem a noite - porque a morte deve ser clara
como o sal na bainha das ondas, e a cegueira sempre
me assustou (e eu já ceguei de amor, mas não contes
a ninguém que foi por ti). Quando eu morrer, deixa-me
a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem
toques com os teus lábios a minha boca fria. E promete-me
que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos
como pequenos foram sempre os meus ódios; e que depois
os lanças na solidão de um arquipélago e partes sem olhar
para trás nenhuma vez: se alguém os vir de longe brilhando
na poeira, cuidará que são flores que o vento despiu, estrelas
que se escaparam das trevas, pingos de luz, lágrimas de sol,
ou penas de um anjo que perdeu as asas por amor."

Maria do Rosário Pedreira

segunda-feira, agosto 13, 2007

Fragile...

I look back to past years...you're so far away, still, sometimes, so close....I still don’t now how to deal with all this vulnerability…

So much to say…nothing to say…


segunda-feira, agosto 06, 2007

Ordinary Day

Je rêve de toi
Plus près de moi
I need you, I need you
I need you, I need you

Who loves you?
Who loves you?
Nos histoires
Nous séparent
Je regrette ce temps qui passe.

It's an ordinary day
Just an ordinary day
Nothing much to laugh about
Nothing much to cry about

C'est comme ça du soir au matin
Y penser n'y changera rien

Bien malgré moi,
Tu vis en moi
I need you, I need you
I need you, I need you

Chaque jour se ressemble
A s'imaginer ensemble
On se manque et l'on se retient
L'avenir semble si lointain...

I need you
I need you
Tant d'espace
Nous sépare
Et si tu perdais ma trace

It's an ordinary day
Just an ordinary day
Les jours se suivent et se ressemblent
Separés mais toujours ensemble

Ordinary Day, Perry Blake feat Nacy Danino