Jeitoso
Infelizmente, a National Geographic lusa não parece ter tantos recursos como a casa mãe. Se tivesse, decerto que teria feito uma descoberta mais relevante que a descoberta dum qualquer sarrabisco dum sujeito de nome Judas. Se tivesse investigado, provavelmente chegariam à conclusão de que Deus teria sido inventado por um português. Sim, português. Afinal, em que outro país é-se tão bom a culpar os outros, a arranjar bodes expiatórios, a fazer um jeito? Sim, porque Deus foi inventado porque dá jeito. Dá jeito atribuir-lhe as culpas por tudo o que não entendemos. Dá jeito depositar esperanças sobre algo que nos foge ao controlo, para depois... atribuir-lhe culpas por tudo o que não entendemos. Dá jeito para nos desresponsabilizarmos. Dá jeito para tirarmos umas férias do controlo da nossa existência. Dá jeito acreditar em Deus para pensarmos que há alguma lógica insuspeita em todo o estranho desenrolar de acontecimentos do quotidiano. Dá jeito
Como qualquer coisa que se inventa, a ideia é facilitar-nos a vida. Não argumento. Mas é ilusório. Acreditar em Deus é a suprema fraqueza. Acreditar que uma força superior, divina, espiritual, omnipresente, omnisciente é a verdadeira fraqueza. Admitir que somos apenas mais um ser humano que andará por cá pouco mais de 70 anos (se tudo correr bem!) e que controlamos muito pouca coisa é a verdadeira força. É o que é dificil, e não acreditar não se sabe bem em quê, não se sabe bem como, não se sabe bem para quê. O verdadeiro acto de coragem é assumir as minhas fraquezas, e, sem qualquer complexo de inferioridade, reduzir-me à minha insignificante mas produtiva existência.
