segunda-feira, abril 30, 2007

o meu amor existe










O meu amor tem lábios de silêncio
e mãos de bailarina
voa como o vento
e abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
a galopar no peito
e um sorriso só dela
que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
sedento de ternura
sarou as minhas feridas
e pôs-me a salvo para além da loucura

O meu amor ensinou-me a partir
nalguma noite triste
mas antes ensinou-me
a não esquecer que o meu amor existe!

O meu amor existe, Jorge Palma

domingo, abril 29, 2007

diferente

En el mundo habrá un lugar
para cada despertar
un jardín de pan y de poesía

Porque puestos a soñar
fácil es imaginar
esta humanidad en harmonía

Vibra mi mente al pensar
en la posibilidad
de encontrar un rumbo diferente

Para abrir de par en par
los cuadernos del amor
del gauchaje y de toda la gente

Qué bueno che , qué lindo es
reírnos como hermanos
Porqué esperar para cambiar
de murga y de compás.

quinta-feira, abril 26, 2007

procura a maravilha










Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.


Eugénio de Andrade

hearts and thoughts

terça-feira, abril 24, 2007

multidão anónima

Ainda a Alice...

"Interessava-me na história de “Alice” explorar sobretudo a obsessão. Alguém que perde uma filha e que, sentido-se impotente para agir, cria um sistema paralelo de funcionamento, exterior à sociedade em que vive.
Quando, à noite de regresso a casa, vemos os vídeos de Mário e toda aquela multidão anónima, em movimento continuo, já não sabemos se aquelas imagens são reais se apenas existem na cabeça de Mário.
Um rosto igual a outro rosto, uma rua igual a outra rua, um dia igual a outro dia.
A cidade como local de abstracção onde, alguém como Mário, pode estar profundamente isolado. Na procura de Alice, Mário conhece outras personagens, também elas, de alguma forma, sozinhas também elas isoladas na cidade onde vivem.
“Alice” é sobretudo um filme sobre a ausência. Uma história de amor de um pai por uma filha."

Marco Martins - realizador

The Everlasting

In the beginning
when we were winning
When our smiles
were genuine

Manic Street Preachers - The Everlasting


PS: Dedicado a todas as "Alices"...

segunda-feira, abril 23, 2007

alice










Ontem vi a Alice...

Queria dizer tanta coisa...
Queria revoltar-me contra tanta coisa...
Queria fugir de tanta coisa...
Queria ter a esperança em tanta coisa...
Queria ter a coragem para tanta coisa...

mas não há palavras suficientemente gritadas
que falem tão alto
nem atitudes suficientemente expressivas
que mudem alguma coisa
nem passos suficientemente grandes
que me levem a lado algum
nem crença suficientemente grande
para acreditar
que
palavras suficientemente gritadas
atitudes suficientemente expressivas
passos suficientemente dados
mudem
o que quer que seja.

Ontem vi a Alice...

Alice - O site oficial

sábado, abril 21, 2007

magenta















Quando a janela se fecha

e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços

de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões

que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem
és tu, de novo?

Quando o teu cheiro me leva
às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti
é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar
que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão
do deslumbre?

As redes são passageiras,
arquitecturas da fuga
De toda a água que corre,

de todo o vento que passa

Quando uma teia se rasga
ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho
mais uma ruga...

Quando o tecto se escancara
e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho
melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar
que foste sempre a mais bela
Por favor, diz-me que és
alguém, de novo?

Quando a janela se fecha
e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços
de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões
que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem
és tu, de novo?

Quem és tu de novo?

Jorge Palma

quarta-feira, abril 18, 2007

Wear sunscreen...

terça-feira, abril 17, 2007

verbos...














De manhã escureço

De dia tardo

De tarde anoiteço
De noite ardo

Vinícius de Moraes

Os convencidos da vida

"Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear. Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força. Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista. Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.

Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi."

Alexandre O'Neill, in 'Uma Coisa em Forma de Assim'

segunda-feira, abril 16, 2007

All is Full of Love

You'll be given love
You'll be taken care of
You'll be given love
You have to trust it

Maybe not from the sources
You've poured yours into

Maybe not
From the directions
You are staring at

Twist your head around
It's all around you
All is full of love
All around you

All is full of love
You just ain't receiving
All is full of love
Your phone is off the hook
All is full of love
Your doors are shut
All is full of love

All is full of love, Bjork

saudade













Num deserto sem água

Numa noite sem lua

Num país sem nome
Ou numa terra nua


Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andersen

terça-feira, abril 10, 2007

silence full of words

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

sexta-feira, abril 06, 2007

...

uma outra maneira de ler poesia...